domingo, 5 de julho de 2015

Dias de Inverno


Dias de Inverno

Ao cair da folha
pingos de chuva saltitam
em dias invernosos    frios    tristes
Carros deslizam por tempestades
sobre lamas em estradas esburacadas

Choques se verificam
Discussões
poluem o meio ambiente
já de si poluído
O amanhecer de uma cidade
triste    fria    invernosa

Agasalhados passeiam de carro
de autocarro e a pé
o gelo sente-se nos ossos
de quem passa e corre
para compromissos
donde depende uma certa
independência
um certo conforto
um certo sorriso

Mas impávido  sereno
lá vai o ciclista da minha rua

Pedalada aqui pedalada ali
indiferente às bichas
de carros e autocarros
indiferente ao frio e à chuva
indiferente a todos
Para ele a Primavera
dura todo o ano.

Pedro Valdoy



sábado, 4 de julho de 2015

Bravura


Bravura

Ao pescador português

A bravura do mestre
bruxuleava entre as ondas
escamosas dos ventos
por entre mares bravios

Era a vida contra a natureza
incólume e fria
por traves do frágil barco
que teimava em resistir

Era o homem contra o mostrengo
no vendaval de vidas hesitantes
que mantinham hirtas e seguras
de través de pulso ímpio

O mostrengo rodava rodava
o pescador sorria na bravura
da pesca e teimava teimava
contra o perigo até à exaustão.


Pedro Valdoy

Heróis do Mar


Heróis do Mar

Fomos o capitão do mundo
com barcos    caravelas
de madeira frágil
com homens de ferro
destemidos
ultrapassámos barreiras
passámos tudo e todos

Bailes se faziam
numa Europa    pequenina
com Portugueses
a mostrarem a sua bravura
onde a língua portuguesa
era rainha e senhora

Hoje!    Sim hoje!
somos apenas
homens de madeira
em navios de ferro
inexistentes

Onde está a nossa marinha
de antanho?
os nossos marinheiros
bravos marinheiros?

Hoje!    Sim hoje!
onde está o Rei de Portugal?
Soterrado!    Diz Camões
no seu sepulcro

Ah!    Sim!
Temos Portugal
no mundo
Na Europa
com governos dementes
Com homens de sorrisos falsos
fanfarrões...
Nós somos Portugueses
dizem eles
Outros envergonham-se
da sua Pátria
da sua bandeira...

Sejamos o que for a Bandeira
é sempre a nossa Bandeira
O Hino o mais belo que possuímos
e devemos amar
A Pátria amarfanhada
deve ser amada
como um filho
ama o seu pai
mesmo desonrado

Mas amanhã!    Sim amanhã
a História repete-se
e então sim
teremos um povo nobre
de cabeça erguida
uma Pátria que sofreu
as amarguras
será uma pátria honrada
com os futuros navegadores
com um Povo
que erguerá bem alto
a sua grandiosa Bandeira
e dirá
VIVA PORTUGAL!

Pedro Valdoy



sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sentimento de um Sonho


Sentimento de um Sonho
 
Sonhos da natureza
atravessam planícies
com o sopro da vida
no desejo da liberdade
 
Os sorrisos entrevêem a vitalidade
como asas dos rouxinóis
na brisa da liberdade
na suavidade de uma estrela
 
sentir as nuvens
como uma águia
livre suave
no correr do tempo
 
Pôr um desejo
no sentimento infantil
sorridente alegre
de uma névoa ligeira
 
Por entre a honestidade
a sinceridade a humildade
no reino dos sentimentos
a dealbarem sobre um país.


Pedro Valdoy

Silenciosamente


Silenciosamente
 
No silêncio da noite
talvez reencontres
o amor perdido
na melodia deste poema
 
Na vastidão do universo
talvez seja um poeta
por entre um novo amor
da tua preciosa leitura
 
O cântico do rouxinol
perto de minha casa
conduz-me ao delírio
de um amor esquecido
 
Quem sabe onde está esse amor
esse meu amor
há muito esperado
nas letras deste poema
 
Tua recordação será preciosa
e só tu me perdoarás
por esta minha insensatez
de um amor esperado.


Pedro Valdoy

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Ser Teu Amor


Ser Teu Amor

Ser teu amor
pode ser de poeta
abri tua alma
e o poeta sorrirá

Os desejos de um poeta
esgueiram-se
por teu corpo
no desejo sensual

Podemos amar
porque eu sou poeta
e o poeta
aperta teu corpo
para a perenidade

Continuemos
nossos corpos colados
cobertos de desejos
o teu prazer chegará
às nuvens irrequietas.

Pedro Valdoy


A Palavra


A Palavra

Meço a palavra
na folhagem lírica
de um poema perdido

A sonância das sílabas
percorrem lírios no campo
da florista do meu bairro

Letra a letra
se constrói poesia
no mero acaso da sabedoria

São lágrimas no papel
na esperança infantil
de um poeta sibilino

As palavras
são corças a correr
por rios do amor

Num desfiar incógnito
é a travessa escorregadia
num monte de consoantes.

Pedro Valdoy