sexta-feira, 3 de julho de 2015

Silenciosamente


Silenciosamente
 
No silêncio da noite
talvez reencontres
o amor perdido
na melodia deste poema
 
Na vastidão do universo
talvez seja um poeta
por entre um novo amor
da tua preciosa leitura
 
O cântico do rouxinol
perto de minha casa
conduz-me ao delírio
de um amor esquecido
 
Quem sabe onde está esse amor
esse meu amor
há muito esperado
nas letras deste poema
 
Tua recordação será preciosa
e só tu me perdoarás
por esta minha insensatez
de um amor esperado.


Pedro Valdoy

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Ser Teu Amor


Ser Teu Amor

Ser teu amor
pode ser de poeta
abri tua alma
e o poeta sorrirá

Os desejos de um poeta
esgueiram-se
por teu corpo
no desejo sensual

Podemos amar
porque eu sou poeta
e o poeta
aperta teu corpo
para a perenidade

Continuemos
nossos corpos colados
cobertos de desejos
o teu prazer chegará
às nuvens irrequietas.

Pedro Valdoy


A Palavra


A Palavra

Meço a palavra
na folhagem lírica
de um poema perdido

A sonância das sílabas
percorrem lírios no campo
da florista do meu bairro

Letra a letra
se constrói poesia
no mero acaso da sabedoria

São lágrimas no papel
na esperança infantil
de um poeta sibilino

As palavras
são corças a correr
por rios do amor

Num desfiar incógnito
é a travessa escorregadia
num monte de consoantes.

Pedro Valdoy


Mar Celeste


Mar Celeste

Mar azul    celeste a brisa
no encanto    na magia
tuas ondas sobressaem
através do horizonte

São gotícolas de mel
da fada martirizada
em busca da criança
na solidão etérea


O pó das serras são grãos
na areia do mar sedoso
pelo caminho da ternura
na suavidade do vento

É a brisa na lentidão do amor
de dois seres na antecâmara
da praia na languidez irrequieta
ao Pôr do Sol sonolento

São folhas ocultas pelo Luar
na escuridão da noite
na fissura dos tempos
no descansar de uma rosa.

Pedro Valdoy


Mistérios do Mar


Mistérios do Mar

Ah as ondas do mar
deslizam suavemente
embriagam meu corpo
no silêncio da solidão

Sinto a sua beleza
a sua paciência
quando mergulham em meu corpo
como uma réstia de luz

Por vezes
talvez muitas
são demolidoras
com a ganância do poder

São insensíveis
são assassinas
no alto mar
enquanto os homens sofrem

Até nas ondas
há a maldade
ou por vezes meigas
com as crianças à beira mar

O Deus dos oceanos
grita sem dó
com sua destruição
e os homens do mar sofrem

Quando Neptuno
se levanta
torna-se o senhor do mal
um autêntico assassino

Mas quando desliza na praia
vem com suavidade
beijar nossos pés
e como arrependido volta para trás.


Pedro Valdoy

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Esplendor


Esplendor

No esplendor do céu
liquefaz-se a deusa do amor
por caminhos com farrapos
de algodão

É a tua serenidade
convalescente
na margem de soalhos
no calor do dia

São seios invasores
de um poder
na transparência do ser
por caminhos de rosas

Na brancura do tempo
sofrem as sílfides
no rastro de um namoro
demasiado real

Na graciosidade do teu seio
fulguram anémonas
num transpor azulado
pela frieza de um corpo.

Pedro Valdoy


Delírio Melódico


Delírio Melódico

Sonho pesadelos
num dedilhar do piano
na sonoridade melodiosa
de uma sonata

Beethoven fascina-me
num relâmpago louco
na sintonia pianesca
da Appassionata

O delírio abre-me a febre
numa ousadia tresloucada
das teclas na brancura dos sons
são álamos esfuziantes

Que na loucura dos séculos
me transpõe na similitude
do dedilhar maravilhoso
no entontecimento da noite.

Pedro Valdoy